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segunda-feira, julho 21, 2008

Nas Asas da Saudade

É inútil negar. Famalicão pisca-nos o olho com o seu belo equipamento à Ajax azul.
O tema não é virgem… mas da terra onde Mitharski recuperou alguma da sua dignidade goleadora espera-se sempre qualquer coisa mais, assim como em cada defeso se espera por mais uma contratação de prestígio no domicílio da gaivota.

Alguém como Chano. Porquê Chano? Ou melhor, por que não Chano?
Bem, o certo é que o chamamento tem tanto de irracional quanto de irresistível. E cá vamos nós outra vez, numa marcha pela máquina do tempo até 1995, o ano em que Bruno Caires perfez 19 cândidos aninhos.
O F.C.Famalicão já não respirava os ares impolutos da liga principal. Mas ainda era uma família feliz.

Este quadro impressionista do Portugal pré-moderno faz-nos rejubilar com todo o seu esplendor cromático. Uma autêntica delícia para os sentidos (excepto, eventualmente, para o paladar, o gosto e o tacto. E talvez para a audição. Pronto, é apenas um deleite visual. Provavelmente).

Estavam aqui reunidos todos os predicados necessários para uma época em cheio. Não se descurou nenhum pormenor, nomeadamente:
- Um guarda-redes sósia do Fernando Couto, ou apenas alguém que tropeçou em cima de uma esfregona depois de besuntado em cola, ladeado por um esguio colega cujo fotógrafo ousou cortar da História;
- Um outro goleiro que cruza as mãos de forma semi-bíblica em honra ao seu patrocinador de luvas;
- Um dirigente com bigode e possuindo um gosto pelo kitsch digno de envergonhar qualquer Nel Monteiro;
- Uma equipa técnica onde pontificam indivíduos de bigode old-school e outros de boné e apito a tiracolo;
- Um sujeito gordo que seria a) o roupeiro, b) quem explorava o bar do clube, c) o dono da máquina fotográfica, ou d) uma infeliz coincidência espácio-temporal.

Como o tempo urge, debrucemo-nos sobre alguns casos particulares.
O timoneiro desta nau, Francisco Vital, está ufano com o seu boné, inspirador de tendências Motianas e ocultador da calvície galopante. Quem não se lembra deste fantástico treinador nos seus noventa minutos de infâmia em Leverkusen? Fazemos questão de não olvidar.




Paulo Brás, o multicolorido e famoso guarda-redes que pediu emprestado o seu nome ao bacalhau homónimo. As más-línguas dizem que Brás apenas encontrou o seu espaço nesta galáxia de cromos por ter um gosto pelo vestuário semelhante ao do dirigente que se vê na foto de família. Todavia, isso são apenas atoardas de gente mal-intencionada. Paulo Brás era cromo por mérito próprio e isso vê-se pelo sorriso arrojado que conservava em qualquer situação, especialmente quando era designado a convidar Joãozinho a cessar o seu aquecimento e a entrar no glorioso relvado do Estádio Municipal 22 de Junho.

Joãozinho? Sim, Joãozinho, pequeno no nome mas grande na traquinice. Inseparável apreciador de rebuçados do Doutor Bayard, Joãozinho franzia o sobrolho perante as adversidades e tratava o perigo por tu. Recebia apenas um Sumol como prémio de jogo e ficava todo contente ao saber que, ao contrário do Capri-Sonne, o Sumol já tinha gás – algo que o enchia de orgulho, bem como de problemas do foro gástrico. Joãozinho conferiu uma lufada de ar fresco no balneário famalicense. Especialmente antes de se descalçar.

Quando Joãozinho se descalçava, Pica perdia a pica. Pica não suportava maus odores, especialmente os que não fossem dele. E, diz quem sabe, também não sentia muita pica para jogar à bola. Devido ao comprimento assombroso das suas unhas e à sua técnica apurada, furou algumas bolas e assim fez jus ao nome. Preferia coleccionar selos e calendários e detestava trocadilhos fáceis. Enfim.


Tó Mané, o Sérgio Conceição de Famalicão, construiu o seu afamado nome por estes lados. Todo ele estilo, todo ele classe, manejava com uma perícia inata qualquer substância gelatinosa que se assemelhasse a gel para o cabelo. Uma vez conseguiu um passe perfeito a 50 metros. Mas ninguém viu, o sonho era só dele. Monopolizou o comércio de azeite acima do Rio Ave e granjeou fama por ter resistido a um tufão na América Central sem que o seu cabelo se mexesse. Discutiu bastas vezes com Rosado sobre quem era o verdadeiro galã do balneário.

Rosado, o próprio, dispensa apresentações. Parente distante de Clark Gable, arrasava corações de emigrantes portuguesas no Luxemburgo e pernas adversárias com a mesma facilidade. Uma figura proeminente do imaginário popular, contratada expressamente para guindar Famalicão de novo às luzes da ribalta. Porém, desistiu deste papel ao fim do segundo copo de bagaço e a vida dele por Famalicão repartiu-se entre frequentes visitas aos lavabos e cortes esporádicos no lábio, ao tentar controlar o seu indomável fio supra-labial de pêlo.

No fim desta viagem que nos fez gravitar nas asas da saudade, espera-nos o saudoso Medane, argelino que deu o corpo à expressão “cabelo à tigela”. Medane era a alma dos anos 90, na ressaca do fenómeno grunge. Também foi um avançado que se perdeu de amores pelas bolas bombeadas em profundidade e pelas franjas meticulosamente cuidadas do seu altivo cabelo, que limava como se de um Bonsai se tratasse no início e no fim de cada treino à porta fechada. Cerca de 1,65m de puro estrondo estilístico, que fez as delícias de qualquer aprendiz de barbeiro. Verdadeiro joker do Baixo Minho, Medane era sobejamente conhecido pela graça com que levava calduços de todo o plantel.

Como nota de rodapé, e embora não venha propriamente ao encontro do que já foi escrito nem seja algo de muito relevante para esta exposição, convém esclarecer que este portentoso plantel não recebeu as loas da glória e acabou despromovido no final da época 1995/96. Actualmente, o
F.C. Famalicão deambula, em jeito de sombra errante, pela AF Braga. Snif.

domingo, julho 13, 2008

Há vacas na Zâmbia?

Esta semana viu desabrochar mais um cromo neste imenso jardim que é a bola lusitana. Um lírio negro, diminuto em tamanho, mas grande na alma conquistadora que invade a Sé de Braga e transborda até à zona limítrofe do concelho que viu nascer o placard dos pneus Ramôa.

Trata-se de algo invulgar, paradoxal, até.
Um cowboy zambiano com coração de artista. Pés aveludados sob um sombrero urbano de pós-modernismo vintage. Um bronzeado Caccioli sob o efeito de LSD. O Dibo séc. XXI com um chapéu porreiro. Uma brisa fresca após uma tempestada de verão.

As referências são extraordinárias. Durante a badalada festa do 12º aniversário de João Moutinho, que teve lugar na semana passada, Pedro Mantorras explicava ao seu filho mais novo (que é professor de educação física do prodígio algarvio) que teria ouvido relatos de inesperada grandeza vindos do zambiano Zesco United. A lenda crescera de forma mais célere do que uma incursão de Gaoussou Fofana pelo flanco direito dos estudantes: vinha aí craque, e dos grandes.

Rainford Kalaba, 1,64m de explosão e 56kg de descaramento, tudo embulhado num bonito pack magistralmente coberto por um chapelinho do mais fino recorte.
Porque il fantasista é assim mesmo - destemido, arrogante, desafiador das mais conservadoras opiniões sobre o que é realmente o futebol. Para ele, o futebol faz-se no momento, muda a cada segundo, inova-se a cada passe, surpreende a cada drible e emociona a cada carícia ao esférico. Com o pequeno cowboy Rainford a conduzir a manada bracarense, a evolução da espécie futebolística é apenas uma mera formalidade.

Porque sim.
Porque ele pode.

A lenda já chegou a Portugal, e a História reescreve-se as we speak. Em dois dias apenas, já nos presenteou com um milagre, como relata o impoluto diário "record":

"Kalaba mostrou que conhece os princípios do jogo e os movimentos, sendo que teve 26 intervenções durante o treino, tendo efectuado 18 passes, cinco dos quais errados, e cinco remates de meia-distância, obtendo um golo. Que mereceu as felicitações de Jorge Jesus. Em inglês, como uma espécie de homenagem."

Cá está, Cowboy Kalaba já fez Jorge Jesus exprimir-se em inglês. Logo ele, que se degladia há décadas contra a língua portuguesa, numa hedionda batalha que já fez mortos, feridos, e famílias enlutadas.

Continua assim, bravo cowboy, e o Mundo será teu.

sábado, julho 01, 2006

Afinal havia outra


Aqui está o outro bonézinho da moda, um José Mota vintage 2000.

Um outdoor publicitário com duas pernas. Pernas essas, marcadas pelos anos de duras e enlameadas batalhas no batatal de Paços de Ferreira.

Só falta o "COACH" do homem do garrafão.

segunda-feira, junho 26, 2006

E já que de mitos tratamos...

Outro achado. Encontrar isto é o mesmo que ouvir ecos das exibições de José Calado no Poli Ejido.

Provavelmente o mais mítico boné da história do futebol luso, superando por pouco o afirmativo boné "COACH" de Álvaro Garrafão Magalhães e o laranjinha "Plus" de José Mota, o Franz Beckenbauer da Mata Real.

Salvé boné.
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